Comunidade conta com empresas de mudanças para o Brasil
Empresas de mudança
A comunidade dispõe de empresas especializadas em mudanças para o Brasil. Com isso, o brasileiro conta com a comodidade de utilizar serviços e assistência em português.
A melhor opção
A melhor opção para quem pretende voltar ao Brasil é levar a mudança de navio, percurso que demora 75 dias (15 para a verificação de documentos na alfândega japonesa, 40 de viagem e mais 20 até a liberação no porto de Santos). Objetos como fogão e geladeira ficam inviáveis de serem levados de avião pelo peso. Embora a viagem seja de dois dias, esse meio de transporte é mais escolhido para pequenas bagagens ou envio de presentes. Já pelos correios, existe um limite de peso para encaminhar objetos.
Como funciona
Quando o brasileiro fecha um contrato para utilizar os serviços de uma dessas empresas, recebe uma série de papéis para preencher e listar os bens que serão transportados. As companhias enviam para a casa do cliente caixas de 0,25 ou 0,50 metros cúbicos, onde serão guardados os objetos. Há empresas que oferecem embalagens personalizadas para objetos grandes (como geladeiras) com cantoneiras.
Preços
Os preços e os serviços oferecidos pelas empresas têm pequenas variações. O valor médio para transportar uma caixa de 0,50 metros cúbicos até São Paulo sai em torno de 95 mil ienes. A taxa muda conforme o Estado onde será efetuada a entrega devido ao frete. Há empresas que financiam o valor do pagamento. O preço é cobrado pelo volume, e não pelo peso dos produtos.
Documentos necessários
Os documentos necessários são: atestado de trabalho (carimbado pela empreiteira), cópia do itinerário do vôo (não é necessário passagem), gaikokujin tooroku, passaporte, RG e CPF. No Japão, a alfândega quer a comprovação da viagem. No Brasil, ela solicita o passaporte e a passagem com a comprovação de retorno da pessoa. Essa é a razão pela qual a empresa elabora uma procuração específica para mercadorias, com autorização do interessado para que a companhia de mudanças possa desembarcar com os objetos em Santos.
Quem pode fazer a mudança
A Receita Federal considera mudança o transporte de objetos de pessoas que estão há mais de um ano no Japão. Com isso, não se paga o imposto sobre os produtos.
O que pode ser transportado
As mercadorias com pelo menos seis meses de uso. Entre os documentos a serem preenchidos há um termo de compromisso que o cliente assina afirmando que os objetos têm ao menos seis meses de uso. Recomenda-se ter nota fiscal dos aparelhos eletrônicos.
Se o cliente declarar que está transportando produtos novos, precisa pagar 50% do valor da nota fiscal ainda no Japão. Caso não declare que está transportando produtos novos e for pego pela fiscalização da alfândega, pagará uma multa de 100% do valor do produto.
O que cabe em meio metro cúbico
Exemplos do que cabe em uma caixa de meio metro cúbico: máquina de lavar, televisão, aparelho de DVD e vários objetos menores (livros, CDs, bichinhos de pelúcia etc.)
Cuidados com a embalagem
[>] Embrulhe os objetos em
plástico bolha
[>] Não deixe espaços para que os objetos fiquem se movimentando dentro da caixa
[>] Tampe os espaços entre os objetos com roupas, livros ou mesmo jornal
[>] Recomenda-se colocar utensílios de cozinha dentro de um gaveteiro de plástico
[>] Evite levar peças muito delicadas, que podem quebrar durante o transporte
O que não pode ser transportado
Entre os itens proibidos de serem transportados estão os automotivos - carro, moto, jet ski e barco -, além de objetos ilícitos, como armas. Nem todo meio de transporte é considerado mudança. Mesmo os acessórios para carros (como pneus, auto-falantes e rodas) não podem ser levados.
Seguro
Os objetos transportados têm seguro contra roubo, incêndio, saques e outros riscos. O seguro entra em vigor a partir do momento em que a caixa é colocada no caminhão da empresa de mudanças. Geralmente, o seguro não cobre eventuais danos no produto e não reembolsa se a caixa não apresentar sinais de queda ou danos.
Em cada contêiner existe um lacre de segurança que pode ser aberto apenas por pessoas credenciadas nas alfândegas do Japão ou do Brasil. Para abrir, é necessário utilizar um alicate de aço. O número do lacre é encaminhado ao Brasil.
Recomendações gerais
[>] Procure levar o que considera realmente importante e vale a pena ter no Brasil. Nem sempre o que era útil aqui terá a mesma função lá
[>] Certifique-se de que os aparelhos eletrônicos vão funcionar no País
[>] Faças as contas e verifique se compensa levar os objetos até o Brasil. Às vezes, fica mais barato comprar um novo ao chegar
Eliana Sumie Sato (à esq.) e Marina Hiromi Sato já estão fazendo os preparativos para o retorno à terra natal
Pelúcias vão, mas o carro fica
Depois de três anos morando em Iwata (Shizuoka), as irmãs Marina Hiromi Sato, 24 anos, e Eliana Sumie Sato, 28, decidiram retornar ao Brasil - mais especificamente à Suzano (SP). Além de encher as malas, elas contrataram uma empresa de mudança e vão ocupar ainda um metro cúbico (equivalente a duas caixas grandes) com o restante dos pertences que não couberam na bagagem.
“O tempo vai passando e a gente acaba juntando um monte de coisas”, diz Marina, que vai viajar com a irmã no dia 11 de setembro. “Quando reservamos a passagem, nem reparamos que era na data trágica do atentado nos Estados Unidos”, conta.
Nas caixas, Marina e Eliana vão levar alguns eletrônicos que elas utilizam em casa, como aparelho de TV e som, videocassete, DVD player e computador. Mas são os bichos de pelúcia da irmã mais nova que devem ocupar o maior espaço. “Adoro eles. Ganhei muitos e também peguei no game center. Vou escolher os maiores e mandar para o Brasil”, afirma. Marina só sente não poder levar o carro Topo, da Mitsubishi, que a acompanhou nesses anos. “Acabei me apegando a ele”, lamenta.
Essa não foi a primeira vez que as duas irmãs vieram ao Japão. Elas já estiveram no arquipélago em 1995. Mas, agora, Marina tem planos de ficar no Brasil. “Quero terminar o colegial e pretendo fazer algum curso técnico”, planeja. Já Eliana decidiu pela volta porque está grávida e quer que o filho nasça em território brasileiro.
Como deixar sua situação regularizada antes de partir
Água, luz e gás
Comunique as respectivas companhias o quanto antes. No dia combinado para o desligamento, os funcionários farão a checagem dos medidores e os valores podem ser pagos na hora.
Aluguel de imóvel
Particular: o ideal é avisar a imobiliária com pelo menos um mês de antecedência. Se a viagem for no meio do mês, o inquilino pode combinar de pagar somente esse período, proporcionalmente, ao invés de desembolsar o aluguel inteiro. Ou então pode se negociar essa parte com a devolução da luva. Mas isso depende de cada imobiliária.
Público (da província): levar a declaração de devolução ao setor de moradias públicas até sete dias antes da data prevista para sair do apartamento. É preciso ter em mãos também a caderneta do banco e o carimbo, caso haja devolução do depósito inicial (parecido com a luva). Esse dinheiro é utilizado para fazer reparos nas portas, tatames e paredes, se necessário.
Aposentadoria
Para receber a devolução da aposentadoria, é preciso preencher um formulário específico (Dattai Ichijikin Saitei Seikyusho) adquirido no escritório de seguro social (Shakai Hoken Jimusho) ou na divisão de aposentadoria (Nenkin-ka) da Prefeitura. O requerimento pode ser feito no período de dois anos, após deixar o Japão, desde que preencha quatro requisitos:
[>] Não possuir nacionalidade japonesa
[>] Ter pago a taxa de algum dos planos por pelo menos seis meses
[>] Não residir no Japão
[>] Não ter usufruído do direito de receber a aposentadoria enquanto morava no Japão

