Deputado Nikkei Eleito diz que está na Hora do Brasileiro Voltar

 

Eleito pelo DEM com mais de 113 mil votos, Junji Abe garante que o Brasil melhorou

Publicado no IPC


Ex-vereador, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes, Junji Abe (DEM-SP) foi eleito com 113.156 votos recebidos em 367 dos 645 municípios paulistas.

Sexto deputado mais votado do seu partido, Abe vai cumprir seu primeiro mandato em Brasília e garante que o Brasil melhorou. "Está na hora dos brasileiros voltarem", disse ele em entrevista ao International Press. 

O deputado conhece bem a realidade da comunidade nikkei no Japão, já tem alguns projetos para ela?

Não conheço em profundidade. Contudo, não posso dizer que desconheço, já que fiz duas viagens recentes ao Japão, liderando comitiva oficial de Mogi das Cruzes, nos anos de 2001 e 2007.

Entidade pública de uma província japonesa - Ibaraki - fez denúncia de que empregadores estariam trazendo mão-de-obra brasileira ao Japão e deixando a que já está aqui desempregada. Que fazer para combater essa prática?

Não conheço o caso. Preciso me inteirar para opinar com propriedade. Entretanto, tal situação se deve ao fato de ainda haver nikkeis com a ilusão de que trabalhar no Japão é a melhor forma de ganhar dinheiro. Isto não é verdade. No Brasil, já estão sobrando vagas de trabalho para mão de obra qualificada. Daí, nossa proposta de garantir a oferta obrigatória de cursos profissionalizantes gratuitos, nas diversas áreas e em sintonia com as demandas do mercado.

Um dos planos do Conselho Nacional de Imigração seria cadastrar os empregadores de mão-de-obra do Brasil para o exterior a fim de evitar que o brasileiro fique desprotegido caso perca o emprego fora de seu país. Como o deputado vê essa possível medida?

Vejo como avanço. Mas, enfatizo que minha missão, como homem público, é fazer com que não haja necessidade de brasileiros terem de ir para o Japão como dekasseguis. Digo isto porque, após 16 anos de estabilidade, o Brasil está melhorando vertiginosamente, sob os aspectos econômico, social e financeiro, o que significa maior geração de empregos e renda.

O que o deputado acha de iniciativas do governo brasileiro como a Casa do Trabalhador em Hamamatsu e o Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE)?

São boas medidas para proteger dekasseguis no exterior. Oxalá a maioria volte ao Brasil sem necessidade de recorrer a elas.

A quarta geração de nikkeis no Brasil não consegue o visto para vir ao país trabalhar como as gerações anteriores (nissei e sansei). Há como resolver esse problema?

Mais uma vez, repito: meu objetivo é batalhar muito para que nenhum brasileiro seja obrigado a trabalhar fora do País, suportando todos os ônus e humilhações de mão de obra de pouca ou nenhuma qualificação, para garantir seu sustento. Seja no Japão, na Comunidade Européia, nos Estados Unidos e em qualquer outro lugar fora do Brasil. 

Os filhos de pais brasileiros que nascem no Japão não conseguem a nacionalidade japonesa, mas vem sendo educados como japoneses em escolas japonesas. Grande parte deles não fala o português? Erram os pais, erra o Japão em não aceitá-los como japoneses ou não há ninguém errado nessa história?

Errou o Brasil, com a alta inflação de 20 anos – de 1975 a 1994 –, que desequilibrou as estruturas sociais, econômicas e financeiras do País, ocasionando o fenômeno dekassegui. Graças a Deus, isto ficou no passado. Após 16 anos de estabilidade econômica e política no território brasileiro, meu desejo é que, gradativamente, as pessoas voltem ao nosso querido Brasil. Antes que a situação se agrave, até por conta das incoerências quanto à nacionalidade e educação das crianças, as famílias precisam voltar ao Brasil que já tem condições de recebê-los.

Nossos jovens no Japão ainda são recordistas em determinados tipos de crime como arrombamento e roubo de carros. No Brasil, era difícil termos notícias de nikkeis envolvidos com crimes. O que teria acontecido?

Não se assuste não. Aqui no Brasil, principalmente nos últimos 20 anos, há muitos nipo-brasileiros cometendo delitos de toda ordem. Isto se deve ao elevado índice de criminalidade, impulsionado pelos desequilíbrios econômico-sociais de outrora e, principalmente, ao crescimento do narcotráfico. Por este motivo, defendo como uma de minhas principais bandeiras, o período integral nas escolas para crianças e adolescentes. Já está provado que o tempo ocioso vira convite ao mundo das drogas e da marginalidade. Temos de trabalhar fortemente tanto na prevenção da violência quanto no combate da criminalidade, especialmente do narcotráfico, como já descrevi. 

Os dekasseguis se tornaram imigrantes?

Espero que não. Como brasileiro, entusiasta deste País, me incluo entre aqueles que fazem tudo para que a trágica inflação não volte, o desenvolvimento avance mais e os brasileiros retornem ao Brasil.

Os brasileiros que retornam ao Brasil estão tendo apoio do governo e da comunidade nikkei?

Sim. Temos instituições como o Sebrae – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - e muitas associações nipo-brasileiras que prestam ajuda aos nikkeis. Evidente que não basta e é preciso ampliar este respaldo. A readaptação, queira ou não, é um desafio a se enfrentar. Contudo, vale frisar, é uma missão muito mais fácil do que aquela enfrentada pelos imigrantes japoneses no passado.

O País está em franco desenvolvimento e todos os dekasseguis têm algum membro da família no Brasil. Mesmo desajustados por causa dos anos em que ficaram distantes da Pátria, falam português, conhecem a culinária, a cultura, enfim, tem familiaridade com a vida e as coisas do Brasil. Portanto, a readaptação ocorre em circunstâncias e com fatores muito favoráveis, podendo se efetivar em curto espaço de tempo.

Por mais que Japão, EUA e alguns países da Europa apresentem índices e avanços tecnológicos melhores que os do Brasil, não existe país no mundo onde o povo seja multirracial e a sociedade conviva sem discriminação de ordem racial, de cor ou de credo. O que ainda existe aqui é a desigualdade social que tende a diminuir cada vez mais, à medida que avança o desenvolvimento sócio-econômico. Ressalto também que não há no planeta um povo tão solidário e hospitaleiro como o brasileiro. Eis mais uma razão para que todos voltem ao Brasil.

Então o Brasil melhorou? Está na hora de voltar ou ainda falta muito?

Melhorou muito. Está na hora dos brasileiros voltarem. Mesmo porque, além de todos os outros motivos, com o real valorizado, praticamente sumiram os benefícios financeiros de se trabalhar no exterior como mão de obra sem qualificação. Afinal, a conversão do iene, do dólar ou do euro para o real, já não traz as vantagens que havia na época em que a moeda brasileira estava totalmente desvalorizada no mercado mundial.

Veja a matéria completa em:
www.ipcdigital.com/br/Noticias/hora-do-brasileiro-voltar_09102010



 

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